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O Âmbito Cultural do El Corte Inglés tem o prazer de convidar para o Curso A Cidade ao Balcão: Como o Comércio Desenhou o Mundo... em Lisboa, por Catarina Carvalho, a realizar-se nos dias 23 e 25 de setembro, 1, 8 e 12 de outubro, pelas 18h30, na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés de Lisboa.
Sinopse
O comércio não é apenas uma transação, nunca foi. Foi como se desenharam as civilizações – à volta do que precisamos para nos sentirmos nós próprios. Como é que o comércio traçou o mapa da civilização? E as cidades?
Este curso propõe uma viagem sobre como as trocas moldam a cidade e o cidadão. Usaremos Lisboa como o nosso laboratório vivo – porque foi isso que esta cidade foi ao longo de muitos séculos. Um lugar onde o global e o local colidiram diariamente, em cada feira, em cada rua, em cada vitrine.
O curso não será apenas sobre transações financeiras, mas sobre antropologia urbana, sobre a sociedade e o urbanismo. O curso explora a evolução do comércio como a força motriz que criou a cidade. Da feira à plataforma digital, o comércio dita como nos movemos, como nos vestimos e como nos reconhecemos enquanto cidadãos. Na cidade. Desde as trocas que fizeram o mundo, até às lojas como os "nós" que seguram a rede social da cidade. A resiliência histórica e a inovação necessária para o futuro.
No El Corte Inglês, o templo do comércio moderno, vamos homenagear a rua, e perceber como ambos se cruzam. Este curso, dado por Catarina Carvalho, diretora da Mensagem de Lisboa, conta com vários especialistas para descobrir os segredos e a história da vida comercial de Lisboa, e ajudar a refletir sobre os seus desafios presentes e futuros.
1.ª SESSÃO – 23 DE SETEMBRO
A invenção do Comércio Moderno passa por… Lisboa
a) Os portugueses inventaram o Mundo Global e o comércio foi também o grande motor do urbanismo moderno. Portugal foi o pioneiro ao transformar a cidade num nó de uma rede global. Lisboa, no século XVI, foi a primeira cidade global. E um exemplo disso é como a Casa da Índia servia como o primeiro grande centro logístico transcontinental. A história urbana e antropológica da cidade através das trocas.
b) A invenção do comércio moderno na Baixa que, depois de 1755, se tornou o primeiro ato de urbanismo puramente comercial do mundo, com a criação de uma "grelha" desenhada para o fluxo de mercadorias, com montras padronizadas e ruas dedicadas a ofícios. Ao longo dos anos, como o seu desenho moldou a forma como compramos e socializamos em Lisboa.
2.ª SESSÃO – 25 DE SETEMBRO
Urbanismo e comércio: um ciclo virtuoso (o que dizem os sábios)
O urbanismo moderno ensinou-nos que uma rua sem lojas é uma rua morta. As lojas funcionam como a célula viva da cidade. O comércio não é apenas um "anexo", mas o seu sistema operativo. É o comércio que dita para onde as pessoas caminham, onde se sentem seguras e como a economia se materializa. Nesta aula analisaremos as suas várias vertentes e as teorias que sobre elas se estabeleceram. O conceito de "Fachada Ativa", de Jan Ghel, com a definição do que é uma cidade viva através das suas lojas, aos “Olhos da Rua”, de Jane Jacobs, que explica como as lojas funcionam como um sistema de vigilância natural – uma montra iluminada e um lojista à porta tornam a calçada mais segura do que qualquer câmara de segurança. E a Cidade de 15 Minutos, com a “Logística de Proximidade” e o “Mix de usos”, ou como a "loja de conveniência" ou a mercearia de bairro são ferramentas de planeamento ambiental.
3.ª SESSÃO – 1 DE OUTUBRO
Fenomenologia do comércio: ruas, armazéns e centros comerciais
Quais as diferenças, para a cidade e para o indivíduo dos diferentes modelos comerciais, de rua, Armazém e Centro Comercial. Como é que todos coabitam. A moda dos Armazéns que coincidem com o nascimento do comércio como desejo de uma classe média crescente, pós-Revolução Industrial, no final do século XIX. Mudanças no produto, no espetáculo do consumo e, até, na emancipação feminina (os grandes armazéns foram os primeiros espaços públicos seguros e "aceitáveis" onde as mulheres podiam circular sozinhas, e passar o dia fora de casa sem supervisão masculina). A democratização do luxo. A mania portuguesa com os Centro Comerciais, apogeu e queda? Os Centros Comerciais analisados pela semiótica, como "Não-Lugar" de uma Hiper-Realidade, em amnésia geográfica.
4.ª SESSÃO – 8 DE OUTUBRO
a) Gentrificação, globalização e identidade
O que fazer com a grande pressão imobiliária? Podemos apoiar a resistência das "Lojas com História" face à padronização das multinacionais? A gentrificação, o turismo, os bairros e o seu impacto. Exemplos de outras cidades, como Paris, Londres, Nova Iorque, Amesterdão, etc. Como as lojas de serviços (sapateiros, drogarias) são substituídas por lojas de souvenirs ou cadeias de café globais. Os desafios do comércio histórico em Lisboa, o que fazer para o preservar sem ser em… formol.
b) Cartografia do Comércio em Lisboa: lojas que marcaram a história da cidade, do Chiado aos novos hubs
A história de algumas das lojas com história e o que lá se passou (incluindo as que já não existem). Do Chiado, epicentro da fenomenologia comercial em Lisboa, com os grandes armazéns, onde o comércio se funde com a cultura (Livraria Bertrand, A Brasileira), ao comércio de bairro em Campo de Ourique, ou o modernismo de Alvalade e Avenida de Roma.
5.ª SESSÃO – 12 DE OUTUBRO
A Cidade Pós-Consumo? O futuro e o Phygital. Sustentabilidade e Comércio 5.0
O que é, hoje, na era do digital, uma loja? As lojas físicas estão a tornar-se espaços de experiência e não apenas de stock. Instagram e o seu papel. O que acontece à calçada quando a loja vira apenas um ponto de recolha (Click & Collect)? Sustentabilidade? Comércio circular? Personalização e Inteligência Artificial? E os influencers?
Final:
Lojas, ruas e cultura
Uma resenha de poemas, canções, filmes e livros onde lojas e comércio são fundamentais.
Biografia
Catarina Carvalho é jornalista e atualmente diretora do jornal A Mensagem de Lisboa.