O Amor Português no Horizonte do Mundo
Âmbito Cultural

O Amor Português no Horizonte do Mundo

Cursos
DATA
07 de jan. às 18:30 h.
LOCAL
El Corte Inglés Gaia Porto - Avda. da República, 1435, 4430-999 Vila Nova de Gaia, Porto - Sala de Âmbito Cultural Gaia, Piso 6
ORADOR
Vitor Teixeira
ESGOTADO

As inscrições para o evento terminaram em 07/01/2026


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DESCRIÇÃO

O Âmbito Cultural do El Corte Inglés tem o prazer de convidar para o curso "O Amor Português no Horizonte do Mundo", de Vitor Teixeira, a realizar-se no dia 07 de Janeiro pelas 18:30 horas, na Sala de Âmbito Cultural do El Corte Inglés de Gaia.

* A sua inscrição é válida para a totalidade do curso.

Sinopse

Houve um tempo em que o mar era mistério — e o mistério, promessa. Nessa fronteira líquida, onde o olhar humano terminava e o sonho começava, ergueu-se o génio português. Movidos por um misto de fé, curiosidade e desassossego, os filhos de Portugal lançaram-se às águas do desconhecido, não apenas para conquistar terras, mas também para alargar os limites do espírito.

A epopeia dos Descobrimentos foi, antes de tudo, uma aventura do pensamento. Foi a travessia da alma humana rumo ao Outro, ao Diferente, ao Possível. Da caravela que singrava o Atlântico nasciam não só novas rotas, mas também novas formas de estar no mundo — o diálogo, a mestiçagem, o encontro. E desaferrolhou-se, descompartimentou-se o mundo…

Em cada porto, os portugueses deixaram mais do que bandeiras ou fortalezas: deixaram palavras, gestos, crenças, melodias, amores. Aprenderam a comer, a rezar e a cantar com os povos que encontraram; misturaram o sangue e o verbo, gerando "filhos da terra" e da travessia — os luso-descendentes, as línguas crioulas, os costumes mestiços.

Não foi uma história isenta de sombras. Houve dor, dominação e desencontro. Mas também houve, talvez mais do que em qualquer outro império do seu tempo, uma vocação de convivência e acomodação. O português não quis apenas impor: quis compreender, aprender, partilhar. A mestiçagem — esse milagre da humanidade — tornou-se uma das heranças mais profundas da expansão portuguesa.

Nas praias de Goa, nas ruas de Luanda, nas ilhas de Cabo Verde, na Insulíndia, nas montanhas de Timor, permanece o eco dessa civilização do encontro. Uma língua que se fez ponte, uma fé que se fez caminho, uma cultura que se fez casa. Portugal, pequeno na terra mas imenso no mar, transformou o desconhecido em vizinhança — e fez do outro um espelho do próprio rosto.

Hoje, ao olharmos para essa história com os olhos serenos do tempo, vemos nela não apenas a aventura dos navegadores, mas o testemunho de um povo que ousou sonhar com um mundo inteiro. E se é verdade que nem todas as marés foram justas, também é verdade que nelas se fundou uma ideia rara e luminosa: a de que o encontro entre culturas pode gerar beleza, comunhão e futuro.

Assim foi Portugal — não apenas uma nação de navegadores, mas de tradutores do humano.

Um povo que, ao descobrir o mundo, descobriu em si a humanidade inteira.

Sessões: 

  • 1ª sessão: 07 de janeiro - Dilatar a fé: espírito de cruzada e negócio
  • 2ª sessão: 12 de Janeiro - Fé e Amor, no trato do Oriente
  • 3ª Sessão: 14 de Janeiro - Para nascer um berço pequeno, para morrer um mundo inteiro
  • 4ª Sessão: 19 de Janeiro - O português que nos pariu...
  • 5ª Sessão: 26 de Janeiro - A cruz, a espada e a alcova: Portugal no mundo

Biografia

Vitor Teixeira

Nascido no Porto (1969), licenciado em História (1991), mestre em História Medieval (1996) e doutorado em História (2004). É professor associado da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Fernando Pessoa, e investigador integrado do CEPESE – Centro de Estudos da População, Economia e Sociedade. Adjunct-professor na Universidade Nacional de Malang, Indonésia, e Visiting Professor na Universidade de S. José (China). Na atualidade, o seu foco essencial de investigação é a história e cultura da presença portuguesa no Sudeste Asiático, em particular na Indonésia, país com o qual tem uma grande ligação, com projetos de investigação e docência.